Angelicum
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"Dois amores construíram duas cidades: o amor de si, levado até o desprezo de Deus, construiu a cidade terrena; o amor de Deus, levado até o desprezo de si, construiu a Cidade de Deus."
— Santo Agostinho, A Cidade de Deus, XIV, 28
A Cristandade Medieval é um curso dedicado ao estudo de uma das grandes realizações da civilização cristã: a ordenação da vida dos povos, das instituições, da cultura e do poder temporal sob a direção espiritual da Igreja.
Em continuidade com o Cristianismo primitivo e com a obra dos Padres da Igreja, a Cristandade medieval representa, segundo a perspectiva do curso, o ápice do desenvolvimento espiritual e intelectual do homem na história. Para compreendê-la, porém, é necessário superar a imagem da chamada “Idade das Trevas”, construída e difundida por correntes historiográficas posteriores.
O curso acompanha a formação dessa civilização desde suas raízes remotas — a herança hebraica, a filosofia grega e a organização política romana — até o esplendor do século XIII, passando pela queda do Império Romano, pela evangelização dos povos bárbaros, pelo monacato, pelo Império Carolíngio, pelo feudalismo, pelas universidades, pela escolástica e pelas grandes transformações espirituais dos séculos XI e XII.
Por fim, examina as causas do declínio da Cristandade medieval e sua passagem para o mundo moderno, relacionando a crise filosófica, política e moral do final da Idade Média às transformações que conduziriam à Modernidade.
A Idade Média continua sendo frequentemente apresentada através de categorias herdadas de seus próprios adversários: superstição, obscurantismo, violência, atraso e opressão. O resultado é uma imagem caricatural de uma civilização que, durante séculos, produziu algumas das maiores realizações da cultura ocidental.
Estudar a Cristandade medieval exige, portanto, distinguir a história real das lendas construídas posteriormente sobre ela. É preciso compreender as instituições medievais segundo suas próprias finalidades, perceber a ação civilizadora da Igreja e avaliar o desenvolvimento intelectual, artístico e político que atingiu seu ápice no século XIII.
O curso também mostra que a Cristandade não surgiu pronta. Ela foi sendo construída através de um longo processo de evangelização e transformação dos povos europeus: dos mosteiros que preservaram a cultura e formaram os bárbaros às universidades, da organização feudal às ordens de cavalaria, das escolas catedrais à síntese intelectual de Santo Tomás de Aquino.
O percurso começa pelas raízes e pré-condições da Cristandade, mostrando como a Providência preparou a vinda de Cristo através das três grandes heranças do mundo antigo: o povo hebreu, a filosofia grega e a organização política de Roma.
Em seguida, acompanha a queda de Roma e a translatio imperii, examinando a crise do Império, as invasões germânicas e a transformação da tarefa da Igreja diante dos novos povos. O que poderia parecer apenas a ruína de uma civilização torna-se, sob a ação evangelizadora da Igreja, o início de uma nova ordem.
O curso dedica atenção especial ao monacato beneditino, às transformações promovidas pelo Renascimento Carolíngio e à realidade do feudalismo, contrapondo a análise histórica à imagem construída pela chamada “Legenda Negra”.
A formação intelectual da Cristandade é então acompanhada através do nascimento das escolas, universidades e escolástica. O percurso passa pelas escolas catedrais, pelo trivium e pelo quadrivium, pelo método escolástico e pelos principais autores anteriores a Santo Tomás.
Os séculos XI e XII são examinados como período de reação espiritual e renovação da Cristandade, com as Cruzadas, as ordens de cavalaria, as ordens mendicantes e o combate às heresias.
O ponto culminante é o século XIII, apresentado como ápice civilizacional: as catedrais góticas, a polifonia sacra, a autonomia dos corpos intermediários, a justa ordenação dos poderes e, acima de tudo, a síntese filosófica e teológica de Santo Tomás de Aquino.
Finalmente, o curso investiga o Outono da Idade Média, identificando as causas teológicas, políticas, econômicas e morais da crise da Cristandade e sua relação com a gênese da Modernidade. O percurso termina com uma teologia da história fundada na Divina Providência e orientada para a Jerusalém Celeste.
A Cristandade Medieval destina-se a quem deseja compreender a Idade Média para além das caricaturas construídas pela historiografia moderna e conhecer a civilização cristã medieval em suas dimensões religiosa, intelectual, política, social e cultural.
É especialmente indicado para estudantes de história, filosofia e teologia, para católicos interessados em conhecer a própria tradição civilizacional e para todos aqueles que desejam compreender as raízes históricas da cultura ocidental.
Não é necessário possuir formação acadêmica prévia. O curso, porém, exige disposição para acompanhar um percurso histórico e conceitual amplo, no qual acontecimentos políticos, instituições, filosofia, teologia, arte e vida social são compreendidos em suas relações.
O curso percorre os seguintes grandes temas:
1. Raízes e pré-condições da Cristandade: o povo hebreu, a filosofia grega e Roma.
2. A queda de Roma e a translatio imperii: invasões bárbaras, evangelização e formação de uma nova ordem.
3. O papel civilizador do monacato: São Bento, os mosteiros e a preservação da cultura.
4. O Renascimento Carolíngio: Carlos Magno, ensino, liturgia e cultura.
5. A realidade do feudalismo contra a “Legenda Negra”.
6. A gênese e o método da escolástica: escolas, universidades e os autores pré-tomistas.
7. A reação espiritual dos séculos XI e XII: Cruzadas, ordens de cavalaria, mendicantes e combate às heresias.
8. O século XIII como ápice civilizacional: catedrais, cultura, corpos intermediários e Santo Tomás de Aquino.
9. O Outono da Idade Média: causas do declínio e gênese da crise moderna.
10. Teologia da história e apologia católica: lendas negras, utopias terrenas, Providência e Jerusalém Celeste.
Raízes e Pré-condições da Cristandade: As três heranças providentiais que prepararam a vinda de Cristo e a Igreja: o povo hebreu (a carne do Messias e o gérmen da fé), a filosofia grega (o instrumental racional e filosófico) e o direito/organização político-estatal de Roma; a distinção entre as três cristandades históricas (Romana, Medieval e Christianitas Minor); a dupla humildade medieval (ante a Revelação divina e ante o legado clássico greco-romano).
A Queda de Roma e a Translatio Imperii: A crise interna do Império Romano e as invasões germânicas; a superação do lamento histórico pelo imperativo de evangelização dos povos bárbaros (o insight de Santo Agostinho); a translação do império temporal para o império espiritual sob a autoridade da Igreja.
O Papel Civilizador do Monacato: O caos social pós-invasões e a fragmentação das dioceses; os mosteiros como ilhas de santidade, autossuficiência econômica e preservação cultural clássica; o monacato céltico e a síntese moderadora da regra de São Bento; a lenta conversão e domesticação moral da nobreza guerreira bárbara.
O Renascimento Carolíngio: O Império Merovíngio e a ascensão de Carlos Magno; a fundação do ensino universal e a normatização litúrgico-arquitetônica; o florescimento intelectual da corte carolíngia (Alcuíno) e as primeiras sementes da escolástica; os riscos inerentes à restauração de impérios temporais e a rivalidade com o poder espiritual.
A Realidade do Feudalismo contra a Legenda Negra: A gênese do feudo como pacto de proteção militar e produção agrícola ante as novas ondas de invasões; a refutação da assimilação marxista/liberal entre feudalismo e escravidão (a corveia vs. a tributação contemporânea); os limites do poder senhorial e a defesa eclesial da liberdade matrimonial e dos servos desterrados (a contribuição historiográfica de Régine Pernoud).
A Gênese e o Método da Escolástica: A evolução das escolas catedrais e das faculdades de artes (trivium e quadrivium) rumo às universidades (Teologia, Medicina e Direito Canônico); as raízes gregas do método escolástico (“não se pode soltar se se desconhece a atadura”); a tensão histórica entre fé e razão em autores pré-tomistas (Santo Anselmo, Pedro Abelardo e Pedro Lombardo).
A Reação Espiritual dos Séculos XI e XII: A superação da crise moral do Século de Ferro (simonia e nicolaísmo); as Cruzadas como união defensiva da Cristandade e gênese das ordens de cavalaria; o surgimento das ordens mendicantes (franciscanos e dominicanos), o combate à heresia albigense/cátara e a instituição da Inquisição.
O Século XIII como Ápice Civilizacional: A plenitude das catedrais góticas, a polifonia sacra e a autonomia dos corpos intermediários nas cidades; a justa ordenação do poder temporal ao espiritual; Santo Tomás de Aquino como o cume do intelecto humano: a síntese aristotélico-platônica, a definição formal do sujeito da Teologia Sagrada e a harmonização definitiva entre fé e razão.
O Outono da Idade Média e a Gênese da Crise Moderna: As causas teológicas, políticas e morais do declínio da Cristandade; a ascensão da burguesia e o absolutismo monárquico (o atentado de Anagni contra Bonifácio VIII); a condenação de 1277 por Étienne Tempier e a decadência da escolástica (o voluntarismo de Duns Scotus e o nominalismo de Ockham); os desvios pietistas (Devotio Moderna) e o misticismo heterodoxo germânico.
Teologia da História e Apologia Católica: A refutação definitiva das lendas negras anticatólicas (a desproporção histórica entre a Inquisição e os genocídios das revoluções modernas e regimes totalitários); a crítica às utopias terrenas (milenarismo, liberalismo e marxismo); o sentido teleológico da história sob a Divina Providência em ordem à Jerusalém Celeste.
Importante: Este curso não dispõe ainda das transcrições em todas as aulas.
1Aulas
Aula 1
17:45Aula 2
18:02Aula 3
18:33Aula 4
19:45Aula 5
18:01Aula 6
18:28Aula 7
18:54Aula 8
19:23Aula 9
17:32Aula 10
10:27Posso desistir do curso?
A Escola Tomista emite certificado?
Quais as formas de pagamento?
Posso trocar a forma de pagamento?
O curso tem apostilas ou material de estudo?
Acesso por 4 anos
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