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"Dois amores fundaram, pois, duas cidades: o amor de si até ao desprezo de Deus, a terrena; o amor de Deus até ao desprezo de si, a celeste."
— Santo Agostinho, A Cidade de Deus, XIV, 28
As Três Revoluções é um curso dedicado ao estudo das grandes transformações que conduziram o Ocidente da Cristandade medieval à configuração ideológica e política do mundo contemporâneo.
O percurso parte da Cristandade dos séculos XII e XIII, examinando a Igreja como alma das nações, a economia e a moral medievais e o nascimento progressivo do espírito burguês. A partir daí, acompanha a Revolução Luterana e a crise da Cristandade, passando pela formação das ideologias modernas e chegando às grandes revoluções políticas que marcaram os últimos séculos.
O curso distingue três grandes momentos revolucionários: a Revolução Luterana, a Revolução Francesa e a Revolução Marcusiana, esta última entendida como a transformação que absorveu e reformulou elementos das revoluções anteriores e que, segundo a perspectiva apresentada no curso, constitui a revolução hoje vitoriosa.
O percurso termina fora do campo estritamente histórico e político: chega à escatologia e à vida cristã, examinando os sinais do fim dos tempos e as disposições que devem orientar a vida do cristão diante do cenário contemporâneo.
O mundo contemporâneo costuma ser apresentado como resultado espontâneo e inevitável do progresso histórico. As mudanças políticas, econômicas, culturais e morais aparecem frequentemente separadas umas das outras, como se não houvesse entre elas uma relação profunda.
As Três Revoluções propõe justamente o contrário: investigar os princípios e as transformações que estão por trás dessa sucessão histórica.
O curso procura mostrar como a crise da Cristandade, o nascimento do espírito burguês, a Reforma Protestante, o Iluminismo, o liberalismo, o comunismo e a revolução cultural do século XX podem ser compreendidos dentro de um processo histórico mais amplo, no qual determinadas ideias e concepções sobre o homem, a sociedade, a autoridade e a religião vão substituindo progressivamente a ordem cristã.
Estudar esse processo permite compreender melhor não apenas de onde viemos, mas também o mundo em que vivemos.
O percurso começa na Cristandade medieval, especialmente nos séculos XII e XIII. A Igreja é apresentada como “alma” das nações, e são examinadas as características da economia e da moral medievais, bem como o crescimento da ambição dos reis e o nascimento do espírito burguês, marcado pela usura e pelo lucro pelo lucro.
A primeira grande ruptura estudada é a Revolução Luterana. O curso examina a crise moral da Igreja entre os séculos XIV e XVI, a chamada “Terceira Cristandade” ibérica sob Carlos V e a resposta católica do Concílio de Trento. Também procura esclarecer por que luteranismo e calvinismo devem ser entendidos, em sentido estrito, como heresias, e não propriamente como ideologias ou revoluções.
Em seguida, o curso recua ainda mais nos fundamentos intelectuais do mundo moderno, estudando a passagem da heresia milenarista à ideologia moderna. O milenarismo de Papias, sua rejeição por Santo Agostinho e a heresia das “três eras” de Joaquim de Fiore são relacionados à secularização iluminista dessa estrutura tripartite da história e ao surgimento das ideologias modernas como espécies de “religiões políticas”.
O percurso chega então ao liberalismo e à Revolução Francesa, examinando seus fundamentos filosóficos, a inversão entre autoridade e liberdade, a relação com a Revolução Inglesa e as transformações econômicas que contribuíram para o surgimento do proletariado industrial moderno.
A quinta etapa é o comunismo, estudado como desenvolvimento e radicalização de elementos presentes no liberalismo. O curso examina a inversão marxista entre ideias e condições materiais e acompanha a Revolução Soviética, Stalin e Mao Tsé-Tung.
Por fim, chega-se à revolução marcusiana: suas relações com a Escola de Frankfurt, a fusão de Marx e Freud em Herbert Marcuse, o Maio de 1968 e a absorção contemporânea de elementos do liberalismo e do comunismo. Costuma-se falar de duas revoluções (a liberal e a comunista), ou, pior, de uma só (a comunista). Mas isto decorre essencialmente da incapacidade de acompanhar o desdobramento da realidade: e, se se faz tal acompanhamento, com efeito se verá que o mal chamado “marxismo cultural” não é senão a terceira revolução, a hegemônica desde meados do século passado: a revolução marcusiana ou sadolibertina.
O último movimento do curso é a escatologia. Depois de percorrer a história das revoluções, o aluno é conduzido aos sinais do fim dos tempos e às orientações práticas para a vida cristã: aceitação da cruz, estudo da doutrina e fidelidade permanente à realeza social de Cristo.
As Três Revoluções é destinado a quem deseja compreender as raízes históricas e intelectuais do mundo contemporâneo a partir de uma perspectiva católica.
É especialmente indicado para quem deseja compreender a passagem da Cristandade medieval à sociedade moderna, o nascimento das ideologias políticas, a Revolução Francesa, o comunismo e as transformações culturais associadas ao pensamento de Herbert Marcuse.
Também pode interessar a estudantes de filosofia, história, política e teologia, bem como a católicos que desejam compreender melhor as forças intelectuais e históricas que moldaram a sociedade em que vivem.
Não é necessário possuir formação acadêmica prévia. É necessário, porém, disposição para acompanhar um percurso que combina história, filosofia, teologia e análise das ideologias.
O curso não pretende simplesmente fornecer uma cronologia de acontecimentos. Seu objetivo é identificar as ideias e os princípios que ajudam a explicar a sucessão das grandes revoluções modernas e sua situação no presente.
O curso percorre os seguintes grandes temas:
1. Da Cristandade medieval à vitória do espírito burguês: a Igreja como alma das nações, a Cristandade dos séculos XII-XIII, a economia e a moral medievais e o nascimento do espírito burguês.
2. A Revolução Luterana: a crise moral da Igreja, a Reforma Protestante, a “Terceira Cristandade” ibérica e o Concílio de Trento.
3. Da heresia milenarista à ideologia moderna: Papias, Santo Agostinho, Joaquim de Fiore, a secularização iluminista e as ideologias modernas.
4. O liberalismo e a Revolução Francesa: racionalismo, deísmo, liberdade, autoridade, Revolução Inglesa e formação do proletariado industrial.
5. O comunismo: o liberalismo como raiz das revoluções, o marxismo, a Revolução Soviética, Stalin e Mao Tsé-Tung.
6. A revolução marcusiana: Escola de Frankfurt, Herbert Marcuse, Marx, Freud, Maio de 1968 e a revolução contemporânea.
7. Escatologia e vida cristã: sinais do fim dos tempos, a “abominação da desolação” e as orientações práticas para a vida cristã.
Da cristandade medieval à vitória do espírito burguês. A Igreja como “alma” das nações; a cristandade dos séculos XII-XIII; a economia e a moral medievais; a ambição crescente dos reis e o nascimento do espírito burguês (usura, lucro pelo lucro) como pano de fundo da crise que levará à Revolução Luterana.
A Revolução (ou Reforma) Luterana. A crise moral da Igreja nos séculos XIV a XVI; a “Terceira Cristandade” ibérica sob Carlos V; o Concílio de Trento; por que o luteranismo e o calvinismo devem ser entendidos, em sentido estrito, como heresia — e não propriamente como ideologia ou revolução.
Da heresia milenarista à ideologia moderna. O milenarismo de Papias e sua rejeição por Santo Agostinho; a heresia das “três eras” de Joaquim de Fiore; a secularização iluminista dessa estrutura tripartite da história; a definição de ideologia como “religião política” (a partir de Eric Voegelin); panorama comparativo das ideologias modernas.
O liberalismo e a Revolução Francesa. Os fundamentos filosóficos do liberalismo (racionalismo, deísmo, a “deusa razão”); a inversão liberal entre autoridade e liberdade; comparação entre a Revolução Francesa e a Revolução Inglesa; o fim das corporações de ofício e a formação do proletariado industrial moderno.
O comunismo. O liberalismo como “raiz de todas as revoluções”; a contrafação do lema revolucionário em relação às virtudes teologais; a inversão marxista entre ideias e condições materiais; a Revolução Soviética, Stalin e Mao Tsé-Tung.
A revolução marcusiana. As causas da queda do comunismo; a Escola de Frankfurt como dissidência interna à esquerda; Herbert Marcuse e a fusão de Marx e Freud; Maio de 1968; a absorção de liberalismo e comunismo pelo “marcuseanismo” contemporâneo, entendido como a revolução hoje vitoriosa.
Escatologia e vida cristã. Os sinais do fim dos tempos segundo o Evangelho; as hipóteses teológicas sobre a “abominação da desolação”; e as três orientações práticas propostas para a vida cristã diante desse cenário: aceitação da cruz, estudo da doutrina e fidelidade permanente à realeza social de Cristo.
Importante: Este curso dispõe das transcrições em todas as aulas.
1Aulas
Aula 1
20:30Aula 2
17:29Aula 3
17:02Aula 4
17:15Aula 5
17:44Aula 6
17:41Aula 7
16:50Posso desistir do curso?
A Escola Tomista emite certificado?
Quais as formas de pagamento?
Posso trocar a forma de pagamento?
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