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Os Filósofos Modernos e o Declínio da Cristandade

Neste curso gratuito o professor Nougué trata
algumas das principais teses dos filósofos modernos,
verdadeiros rebentos do declínio da Cristandade.
Baseado em 151 avaliações
Cursos Gratuitos
  • 6 horas de carga horária
  • 464 alunos
  • 6 aulas
  • 1 módulo
  • Última atualização 24/01/2025
2 anos

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Sobre o Curso

"Um pequeno erro no princípio torna-se grande no fim."

Santo Tomás de Aquino, De Ente et Essentia, proêmio
Apresentação

Os Filósofos Modernos e o Declínio da Cristandade é um curso dedicado ao estudo das transformações intelectuais que acompanharam a dissolução da Cristandade e o nascimento do mundo moderno.

O percurso parte de uma questão fundamental: como o Ocidente passou de uma concepção cristã e transcendente da história para as concepções imanentistas e revolucionárias que caracterizam boa parte do pensamento moderno?

Para responder a essa pergunta, o curso recua até a crise da escolástica medieval. Examina a síntese aristotélico-tomista e a ruptura progressiva de seus princípios com o voluntarismo de Duns Scotus e o nominalismo de Guilherme de Ockham. A partir dessa fratura, acompanha a transformação da própria concepção de conhecimento e realidade, passando por Descartes e Kant e chegando ao idealismo de Hegel e ao materialismo de Marx.

O percurso não termina, porém, na história da filosofia moderna. O curso investiga também as raízes gnósticas e milenaristas das ideologias modernas e, finalmente, apresenta a reação da Igreja e o movimento de restauração tomista, chegando à necessidade do tomismo autêntico diante dos desafios intelectuais e religiosos do mundo contemporâneo.

A Filosofia é a ciência em sentido estrito, e a Cristandade – que foi a mais pujante de todas as civilizações – foi fruto não só da Revelação mas também do Direito romano e da Filosofia grega (ainda que, naturalmente, a Revelação ocupasse o primeiro lugar na síntese). Mas com a negação da Metafísica a filosofia moderna, que em verdade começara com o nominalismo, lançou-se no abismo do nonsense e do materialismo revolucionário.

Os "filósofos" modernos à Descartes, e especialmente desde Descartes, pretendem cada um por si reinventar a filosofia, como se esta, quanto ao essencial, já não tivesse alcançado profunda solidez com autoridades como Sócrates, Platão, Aristóteles, S. Agostinho, S. Tomás de Aquino. E desse modo sua obra se constrói sobre areia. Em verdade, é uma postura liberal. Se para o católico a autoridade aprimora e alarga a liberdade e o pensamento, para o liberal ela os limita e estreita.

Neste curso gratuito o professor Nougué trata algumas das principais teses dos filósofos modernos, verdadeiros rebentos do declínio da Cristandade.

Por que estudar Os Filósofos Modernos e o Declínio da Cristandade?

É comum estudar os filósofos modernos isoladamente, como se Descartes, Kant, Hegel e Marx constituíssem apenas etapas sucessivas de uma história acadêmica da filosofia. Este curso propõe outra perspectiva: examinar a linha de continuidade — e de progressiva ruptura — entre determinadas transformações filosóficas e o declínio da ordem cristã do Ocidente.

A questão não é apenas saber o que cada filósofo ensinou, mas compreender o que acontece quando a inteligência deixa de partir do real, quando a vontade passa a ocupar o lugar da inteligência e quando a história deixa de ser compreendida à luz de sua finalidade transcendente.

Essa perspectiva permite compreender por que problemas aparentemente abstratos — como a relação entre inteligência e vontade, a existência das essências, a possibilidade de conhecer a realidade ou a estrutura da história — acabam tendo consequências profundas para a filosofia, a política, a religião e a cultura.

A proposta do curso

O curso começa pela concepção cristã da história em Santo Agostinho, contrapondo-a à visão cíclica da Antiguidade e às concepções imanentistas que surgirão na Modernidade. Nesse primeiro momento, também se examina a Cristandade medieval e o processo de sua dissolução, marcado pela ascensão do espírito burguês e pela ruptura progressiva da ordenação dos poderes temporais à autoridade espiritual.

Em seguida, o percurso volta-se para a crise da escolástica. A síntese de Aristóteles realizada por Santo Tomás é apresentada como ponto culminante da filosofia cristã medieval, especialmente no que diz respeito à unicidade da forma substancial e à precedência da inteligência sobre a vontade. A ruptura voluntarista de Duns Scotus e o nominalismo de Guilherme de Ockham são então estudados como momentos decisivos dessa crise.

A terceira etapa acompanha a transformação do pensamento moderno, de Descartes a Kant. A dúvida metódica, o mecanicismo e o cogito cartesiano são relacionados ao progressivo afastamento da inteligência em relação ao real. Em Kant, essa ruptura chega à inacessibilidade da coisa em si e ao fechamento da inteligência no âmbito do fenômeno.

O curso passa então por Hegel e Marx, examinando a imanentização da história. O idealismo hegeliano transforma a história no movimento da autoconsciência do Espírito Absoluto, enquanto Marx inverte essa estrutura, fazendo das condições materiais e econômicas o fundamento da superestrutura ideológica.

A análise das ideologias é aprofundada pelo estudo de suas raízes gnósticas e milenaristas, especialmente da heresia das Três Eras de Joaquim de Fiore e de sua secularização posterior. Nesse contexto, é apresentada também a interpretação de Eric Voegelin das ideologias modernas como “religiões políticas”.

Por fim, o curso examina a reação da Igreja e a restauração tomista, passando pelo Concílio de Trento, pela Aeterni Patris de Leão XIII, pelas 24 Teses Tomistas e pelo movimento neotomista do século XX. O percurso conduz à questão decisiva para o presente: por que o tomismo autêntico continua sendo necessário para a preservação da inteligência filosófica e da própria fé diante do mundo contemporâneo?

O que você encontrará
  • Um percurso histórico e filosófico da dissolução da Cristandade e do nascimento da Modernidade.
  • A concepção escatológica e transcendente da história em Santo Agostinho.
  • O apogeu da Cristandade medieval e seu declínio.
  • O voluntarismo de Duns Scotus e o nominalismo de Guilherme de Ockham.
  • A ruptura moderna com a concepção clássica do conhecimento e da realidade.
  • O racionalismo e o mecanicismo de René Descartes.
  • O solipsismo e a filosofia transcendental de Immanuel Kant.
  • A imanentização da história em Hegel.
  • A inversão materialista de Karl Marx e Friedrich Engels.
  • As raízes gnósticas e milenaristas das ideologias modernas.
  • A interpretação das ideologias como “religiões políticas” em Eric Voegelin.
  • A resposta da Igreja à crise filosófica moderna.
  • A restauração tomista promovida pelo Magistério.
  • A Aeterni Patris de Leão XIII e as 24 Teses Tomistas.
  • Um balanço do neotomismo do século XX.
  • A necessidade do tomismo autêntico no mundo contemporâneo.
Para quem é este curso?

Os Filósofos Modernos e o Declínio da Cristandade é destinado a quem deseja compreender a Modernidade não apenas como uma sucessão de autores e escolas filosóficas, mas como um processo intelectual ligado à transformação da própria civilização cristã.

É especialmente indicado para estudantes de filosofia, teologia, história e ciências humanas, bem como para católicos que desejam compreender as raízes filosóficas das ideologias modernas e os motivos pelos quais a Igreja insistiu, especialmente a partir de Leão XIII, na necessidade da restauração da filosofia de Santo Tomás de Aquino.

Não é necessário possuir formação acadêmica prévia. É necessário, porém, disposição para acompanhar um percurso conceitual que envolve metafísica, teoria do conhecimento, filosofia da história, teologia e história das ideias.

Programa

O curso percorre os seguintes grandes temas:

1. A concepção da história: transcendência e imanência, Santo Agostinho, Cristandade medieval e o declínio da ordem cristã.
2. A crise escolástica: Aristóteles, Santo Tomás, Duns Scotus e Guilherme de Ockham.
3. O pensamento moderno: Descartes, mecanicismo, Kant, fenômeno, coisa em si e solipsismo.
4. A imanentização da história: Hegel, Marx e Engels.
5. As raízes gnósticas e milenaristas das ideologias: Joaquim de Fiore, milenarismo, gnose e Eric Voegelin.
6. A reação da Igreja e a restauração tomista: Concílio de Trento, Aeterni Patris, 24 Teses Tomistas e o neotomismo do século XX.


Ementa do curso

A Concepção da História: A visão escatológica e transcendente da história em Santo Agostinho contraposta ao eterno retorno da Antiguidade e às teorias imanentistas modernas; o apogeu da Cristandade e o impacto do espírito burguês no Outono da Idade Média.

A Ruptura Escolástica: A síntese aristotélico-tomista, o voluntarismo de Duns Scotus e a destruição nominalista da inteligência por Guilherme de Ockham.

O Racionalismo e o Solipsismo: A dúvida metódica e o mecanicismo de René Descartes; a inacessibilidade da coisa em si e o fechamento da inteligência em Immanuel Kant.

A Imanentização da História: O idealismo dialético de Hegel e a inversão materialista de Karl Marx e Friedrich Engels (a infraestrutura econômica como determinante da superestrutura).

As Raízes Gnósticas e Milenaristas: A heresia das Três Eras de Joaquim de Fiore como matriz das ideologias secularizadas (positivismo, marxismo, nazismo) e o conceito de religião política em Eric Voegelin.

A Reação Magisterial e o Tomismo: As respostas da Igreja desde o Concílio de Trento até a encíclica Aeterni Patris de Leão XIII e as 24 Teses Tomistas; o balanço do neotomismo do século XX e a urgência da doutrina de São Tomás de Aquino no mundo contemporâneo.


Importante: Este curso não dispõe ainda das transcrições em todas as aulas.

Conteúdo

1Aulas

  • Aula 1

    20:12
  • Aula 2

    19:42
  • Aula 3

    20:27
  • Aula 4

    20:18
  • Aula 5

    21:32
  • Aula 6

    20:00

Professores(as)

Carlos Nougué

Carlos Nougué

Filósofo Tomista e professor de Filosofia, de Tradução e de Língua Portuguesa. Autor de várias obras e tradutor premiado.

FAQ

Posso desistir do curso?

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Sim, em qualquer um dos planos (mensal, semestral ou anual) é possível cancelar o acesso e demais cobranças a qualquer momento. E pode voltar quando quiser.

A Escola Tomista emite certificado?

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Sim, o certificado será liberado quando o curso estiver concluído, ao final de 5 anos.

Quais as formas de pagamento?

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A Escola Tomista pode ser paga por boleto, cartão de crédito ou PIX. A cobrança é feita automaticamente no cartão de crédito a cada ciclo. No caso do boleto bancário o sistema envia um link para gerar o boleto 7 dias antes do vencimento. No caso do PIX, o sistema da plataforma gera um código PIX novo sempre 7 dias antes do vencimento. Quando o pagamento é identificado o acesso é estendido automaticamente.

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O curso tem apostilas ou material de estudo?

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Os cursos não são "apostilados". Além do vídeo, algumas aulas podem conter algum material em PDF, eventualmente.

Acesso por 2 anos

Estude quando e onde quiser

Avaliações

Opinião dos alunos que se matricularam
5.0

151 avaliações

Parabéns, professor!

WILLIAN KALINOWSKI

Magnífico, professor. Deus te abençoe!

Guilherme Rodrigues Rauber

Professor, muito obrigado por compartilhar seu conhecimento conosco, excelente trabalho e eu só tenho que reiterar e agradecer de coração!

Alvaro Rogério Noronha de Oliveira

Curso maravilhoso

Diego Rosa Nunes

Ãtimo!

André Conti Tadei

Salve Maria! Ao tenho pakavras para agradecer a mais este curo do mestre Nougué. Muito obrigada por tamanha generosidade. Excelente curdo, pois fornece uma visão geral do curso da filosofia na História.

Carolina de Oliveira Ramos Baracho de Sousa

Muito bom. Didático e objetivo!

Fanuel Souza

muito boa as aulas

Wanderson Rodrigo Pereira da Silva

O nobre professor Nougué é sempre de uma clareza indescritível. Sou grato pela oportunidade de estudar com esse grande intelectual.

Gustavo Vulpi

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